
Joel Santana com cara de poucos amigos no Flamengo: técnico ficou pouco tempo no clube Foto: Cezar Loureiro
Faz um balanço do ano?
Poderia ser melhor. Passei por dois clubes. No Bahia, deixei as coisas bem encaminhadas para o título estadual e para o Brasileiro. E no Flamengo a coisa não aconteceu. Os motivos não interessam mais. Conhece avalanche? Então, não adianta desenterrar mais. E daí eu pude cuidar da minha da saúde, operar o meu quadril. Coloquei uma placa de titânio na bacia, uma prótese. Estou há três meses em recuperação. Em julho, eu tive proposta, mas não podia assumir qualquer compromisso. Em janeiro, vou estar 80% recuperado. E mais um pouquinho para frente 100%. E agora, para piorar, peguei um resfriado e estou fanho (risos). Mas estou te atendendo. Que moral, hein? (risos).
No Flamengo, você exibia limitações físicas para se movimentar, agachar e se locomover...
Estava mancando. Tinha muitas limitações. Eu não conseguia nem dormir direito, ir ao banheiro. Minha vida estava restrita, de tanto que sentia dores.
E as críticas vieram. O Flamengo não se emendava, e você não ia a campo como antes.
Para, para. Eu tenho funcionários. O futebol mudou. Não posso ficar vendo treinozinho físico no campo. O treinador tem que ver teipe de jogos na sala, vendo reforços. Tenho auxiliar para a parte técnica, para os goleiros... Os meus funcionários têm que trabalhar, não posso deixar eles coçando o saco. Eu tenho que aparecer na hora certa do treino e organizar o trabalho, planejar.
Mas Joel (interrompe)
O futebol mudou muito. Você acha que o Mourinho (José, técnico do Real Madrid) fica no campo de segunda a sexta, das 8h ao meio-dia? A prova que não é que, quando ele vai substituir um jogador na partida, quem fala com o atleta é o auxiliar. O Mourinho, isso a gente consegue perceber pela TV, fala duas palavrinhas. E qual o nome daquele coroa do Manchester (United)?
Alex Ferguson
Isso. É a mesma coisa. Trata de todo o planejamento. Não existe lugar para um só no futebol. Tem uma comissão técnica, um planejamento.
E agora surge, com mais destaque, o papel do gestor no Brasil. É tudo isso mesmo?
Bom ter tocado nesse assunto. Para o bom gestor, tem espaço. Aparece na hora certa, vê reforços, protege a comissão técnica. Antes era ‘o treinador acerta, o treinador erra’. Tudo na conta do treinador. Mas eu tenho visto muito gesto, sem o "r". A palavra agora está na moda. Todo mundo se acha. Muita gente veste essa capa.
O futebol mudou taticamente também?
Olha, o 4-2-3-1 que estão usando, a tática da moda, nada mais é do que uma cópia do 4-4-2. O centroavante pega o volante adversário. Cabe desenhar a melhor maneira o time que você tem em mãos. Tem gente que gosta do 3-5-2. Depende das características dos jogadores. E aí entra um ponto legal, que é a análise, os críticos. Você arma seu time, joga bem, mas perde o jogo. Tem três chances de gol, não faz, e vem o Neymar tem uma oportunidade e sacola. E a nota no jornal no dia seguinte: 2, 2,5. Tem que analisar não só o placar, mas o jogo, o trabalho.
Mas Joel (interrompe)
Você encara o Barcelona vai bem, mas a bola cai no pé daquele baixinho sacana (Messi) e pimba, pimba, pimba. Uma semana de trabalho vai por água abaixo. Essa é a graça do futebol, mas tem que avaliar melhor. Às vezes, você perde sem merecer. O Joel tem 30 anos nessa p... Só sei fazer isso. Vou acertar e vou errar. Depois dessa aula de graça, você vai virar diretor do jornal (risos) no final.

Joel Santana com camisa de apoio, no Ninho do Urubu Foto: Jorge William
O que falar do Fluminense e do Corinthians?
O futebol é ganho hoje por objetivo. O Abel não saiu da estratégia em nenhum instante. Jogava fechado, arrumado, e saía rápido. Vinha o Wellington Nem, o Fred e pimba. O Deco lançava e pimba. O Thiago Neves de falta e pimba. E o Corinthians jamais saiu de sua filosofia. Não tomou gol na Libertadores, não tomou na final do Mundial. O Chelsea dançou por isso. Fechadinho, ganhou a Liga dos Campeões. Depois, veio o técnico (Roberto Di Matteo) ou sei lá se foi ordem do presidente (Roman Abramovich) e quis colocar cereja no bolo, jogar bonitinho. O técnico caiu, perdeu o Mundial. Eu adorei quando o Tite anunciou a troca do Douglas pelo Jorge Henrique. Chamaram de retranqueiro. Foi bem, ganhou o jogo.
E a seleção brasileira, com Parreira e Felipão?
Temos que apoiar. E eles, pelo que conheço, vão nessa linha que eu falei. Vão firme na filosofia. E cabe a nós, o povo, apoiar. Vão estar nos braços da torcida, no nosso país, com a nossa bandeira. E alguém pode contestar o currículo deles? Tem que dar força. Não deixaram o Mano, e trocaram ele por dois.
Em 2010, você bateu na trave para disputar a Copa pela África do Sul. Te frustrou?
Olha, perdi para a Espanha, que foi campeã do mundo, depois de não conseguir recuperar os meus neguinhos (disputa do terceiro lugar da Copa das Confederações), que estavam cansados pela semifinal. E perdi na prorrogação, 3 a 2. Mas é o Joel, é retranqueiro, é o da prancheta...
Você se sente desprestigiado?
Cara, eu tenho meu valor. Eu erro muito pouco no futebol. Vamos lá: o Botafogo não era campeão há tempos, fomos lá e beliscamos (2010). E eu sou retranqueiro. No Flamengo, livrei do rebaixamento (2005), levei à Libertadores quando peguei o time quase em último (2007), mas só falam do jogo do Cabañas (América-MEX, em 2008). Na boa, não convivo mais com a mesmice. Erro muito pouco. Não sou o dono da verdade. Tenho comissão técnica competente. Futebol está fácil. Tem tudo no laptop.
Já que erra muito pouco, o que houve no Flamengo este ano?
Tinha muita coisa errada. No meio do Campeonato Brasileiro, eu perdi Ronaldinho (Gaúcho), Willians, David Braz, Galhardo, Diego Maurício. E vinha subindo a garotada. O clube demorou a ter uma pessoa ali no futebol (vice de futebol ou diretor), era eu que batia com os jogadores. Isso não pode. E as coisas não ajudavam. Tomamos três gols em oito minutos, um time faz um gol fora de casa, de cabeça, no final na Libertadores... Contra o Vasco, o Deivid, coitado, perde aquele gol. Que nem ele acredita até hoje. Mas eu volto ao Flamengo. Anota aí.
Fora de campo foi o problema?
Não vou ficar reclamando, passou. Coisa ruim vai embora. Não que o Flamengo seja coisa ruim, não é isso. Até porque quem vai me colocar no Flamengo será a nação. Na rua, me perguntam. Vamos dar tempo ao tempo.
Você substituiu o R10 contra o Inter para ele ser vaiado?
Conhece novela? A verdade é outra. Depois de 30 anos no futebol eu vou me descaracterizar? Quem tem boca fala o que quer.
Tem acompanhado a crise do Vasco, a saída dos jogadores, as finanças?
Só por noticiário. Que faltou água, luz, que jogadores foram embora. O Juninho para a Inglaterra (Estados Unidos), o outro para o Palmeiras. Tem que saber internamente por que abriram mão de tudo isso. Isso é ruim. Vasco, Fla, Flu e Bota precisam estar fortes. O Brasileiro está muito difícil. Se entrar na zona de rebaixamento, para tirar o pé da lama é fogo.
Qual o presente de aniversário do Joel Santana?
Vou passar o aniversário com as minhas irmãs (Lurdinha e Fátima), o que não acontece há anos. Estou muito feliz. E já não tem festa dia 25, né? É enterro dos ossos (risos). Acordo todos os dias e agradeço a Deus. Moro no Rio, sou feliz e estou amando loucamente. É face to face, rosto no rosto.
Fonte:Extra,Globo
O que falar do Fluminense e do Corinthians?
O futebol é ganho hoje por objetivo. O Abel não saiu da estratégia em nenhum instante. Jogava fechado, arrumado, e saía rápido. Vinha o Wellington Nem, o Fred e pimba. O Deco lançava e pimba. O Thiago Neves de falta e pimba. E o Corinthians jamais saiu de sua filosofia. Não tomou gol na Libertadores, não tomou na final do Mundial. O Chelsea dançou por isso. Fechadinho, ganhou a Liga dos Campeões. Depois, veio o técnico (Roberto Di Matteo) ou sei lá se foi ordem do presidente (Roman Abramovich) e quis colocar cereja no bolo, jogar bonitinho. O técnico caiu, perdeu o Mundial. Eu adorei quando o Tite anunciou a troca do Douglas pelo Jorge Henrique. Chamaram de retranqueiro. Foi bem, ganhou o jogo.
E a seleção brasileira, com Parreira e Felipão?
Temos que apoiar. E eles, pelo que conheço, vão nessa linha que eu falei. Vão firme na filosofia. E cabe a nós, o povo, apoiar. Vão estar nos braços da torcida, no nosso país, com a nossa bandeira. E alguém pode contestar o currículo deles? Tem que dar força. Não deixaram o Mano, e trocaram ele por dois.
Em 2010, você bateu na trave para disputar a Copa pela África do Sul. Te frustrou?
Olha, perdi para a Espanha, que foi campeã do mundo, depois de não conseguir recuperar os meus neguinhos (disputa do terceiro lugar da Copa das Confederações), que estavam cansados pela semifinal. E perdi na prorrogação, 3 a 2. Mas é o Joel, é retranqueiro, é o da prancheta...
Você se sente desprestigiado?
Cara, eu tenho meu valor. Eu erro muito pouco no futebol. Vamos lá: o Botafogo não era campeão há tempos, fomos lá e beliscamos (2010). E eu sou retranqueiro. No Flamengo, livrei do rebaixamento (2005), levei à Libertadores quando peguei o time quase em último (2007), mas só falam do jogo do Cabañas (América-MEX, em 2008). Na boa, não convivo mais com a mesmice. Erro muito pouco. Não sou o dono da verdade. Tenho comissão técnica competente. Futebol está fácil. Tem tudo no laptop.
Já que erra muito pouco, o que houve no Flamengo este ano?
Tinha muita coisa errada. No meio do Campeonato Brasileiro, eu perdi Ronaldinho (Gaúcho), Willians, David Braz, Galhardo, Diego Maurício. E vinha subindo a garotada. O clube demorou a ter uma pessoa ali no futebol (vice de futebol ou diretor), era eu que batia com os jogadores. Isso não pode. E as coisas não ajudavam. Tomamos três gols em oito minutos, um time faz um gol fora de casa, de cabeça, no final na Libertadores... Contra o Vasco, o Deivid, coitado, perde aquele gol. Que nem ele acredita até hoje. Mas eu volto ao Flamengo. Anota aí.
Fora de campo foi o problema?
Não vou ficar reclamando, passou. Coisa ruim vai embora. Não que o Flamengo seja coisa ruim, não é isso. Até porque quem vai me colocar no Flamengo será a nação. Na rua, me perguntam. Vamos dar tempo ao tempo.
Você substituiu o R10 contra o Inter para ele ser vaiado?
Conhece novela? A verdade é outra. Depois de 30 anos no futebol eu vou me descaracterizar? Quem tem boca fala o que quer.
Tem acompanhado a crise do Vasco, a saída dos jogadores, as finanças?
Só por noticiário. Que faltou água, luz, que jogadores foram embora. O Juninho para a Inglaterra (Estados Unidos), o outro para o Palmeiras. Tem que saber internamente por que abriram mão de tudo isso. Isso é ruim. Vasco, Fla, Flu e Bota precisam estar fortes. O Brasileiro está muito difícil. Se entrar na zona de rebaixamento, para tirar o pé da lama é fogo.
Qual o presente de aniversário do Joel Santana?
Vou passar o aniversário com as minhas irmãs (Lurdinha e Fátima), o que não acontece há anos. Estou muito feliz. E já não tem festa dia 25, né? É enterro dos ossos (risos). Acordo todos os dias e agradeço a Deus. Moro no Rio, sou feliz e estou amando loucamente. É face to face, rosto no rosto.
Fonte:Extra,Globo






























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